quinta-feira, 18 de Março de 2010

A MODA ATRAVÉS DOS TEMPOS - A moda - indumentária a.C (continuação)



Até mesmo em relação aos penteados da antiguidade podemos tomar como comparativo as Vênus de Willendorf ou outras similares; pois através dessas estátuas analisamos variados tipos de cabelos, desde os curtos, encaracolados, presos em coques ou trançinhas, e por ai vai. Sem contar as inimagináveis contas encontradas em Sungir, na Rússia, datadas de aproximadamente 25.000 anos. Os esqueletos encontrados nesta região estavam inteiramente ornados com elas.

Infelizmente, quanto à forma da vestimenta, o uso de peles, couro e tecidos propriamente ditos, ou o modelo das peças, não foi possível saber com exatidão, uma vez que nada de significativo foi encontrado, tendo se perdido com o passar dos tempos. Mas, mesmo assim, os demais apetrechos encontrados não descartam a existência de uma forma de moda e sua influência na sociedade da época. Foram encontrados vários adornos pessoais, como as jóias, sendo as mais antigas que se tem registro: as conchas fossilizadas, os dentes de animais, ossos, chifres, marfim, pedra calcária e azeviche, braceletes, cintos, enfim, toda uma gama de aprestos de moda.

Depois deste período, continua-se o processo evolutivo da vestimenta como um todo, de forma que, quanto mais a sociedade se interagia, mais importante se tornava criar um diferencial. A vestimenta começa, então, a diferenciar as pessoas e a aproximá-las de Deus.

Destarte, podemos afirmar que no período que vai, primeiramente, de 8.000 a 4.000 a.C, conhecido como período neolítico, a moda esteve diretamente ligada aos atos de fé.6 Isto porque, os povos acreditavam na unidade do mundo espiritual e material. Nesta época, as sociedades começaram a deixar de ser nômades, estabelecendo-se em comunidades mais ou menos organizadas para cultivarem a agricultura, estabelecer a religião e marcar, assim, o início do que consideramos sociedade humana organizada. Depois deste período, de 4.000 a.C até o século I, a moda/indumentária deixa de ser apenas um ato de fé, e torna-se também a representação do poder e da força do homem.


Existiu forte predominância de indumentária, também, na ilha de Creta, que aproximadamente pelo ano 1750 a.C. já apresentava diferenças marcantes no vestir de homens e mulheres. Elas usavam babados sobrepostos a uma saia longa em formato de sino e cintura afunilada, tipo de blusa costurada às mangas, deixando a mostra os seios (símbolo de fertilidade) e na cabeça tinham um chapéu com detalhe de animal. Cada animal usado como acessório detinha um significado, a cobra, por exemplo, representava o poder. A indumentária dos homens era mais simples, apenas uma espécie de tanga presa por um cinto, na altura da cintura deixando o restante do corpo nu. O mais marcante desses povos é que deixavam o cabelo e as barbas crescerem e os usavam plissados ou ondulados.
Durante todo este período, o Oriente Médio se apresentava como a região destes povos, sendo o centro cultural da época neolítica e das civilizações antigas. Entre os rios Nilo e Cáspio, estendia-se uma próspera região conhecida como o “crescente fértil”, que mais tarde seria conhecida como Mesopotâmia.
Esta região foi também o berço das mais antigas civilizações que se tem notícia, como a dos sumérios, que, possivelmente foram o berço da civilização moderna, apresentando ao mundo uma sociedade rica em seus costumes e cultura inigualável em tempos tão remotos.


A moda suméria constituía-se em longas saias debruadas por babados, feitos de tufos de tecido ou mesmo de lã. Com o tempo, a moda evolui dos babados para as franjas, enrolado em drapeados, bem ajustados, em volta de todo o corpo. Os referidos trajes não tinham diferenciação por sexo, embora com o passar dos tempos, a vestimenta masculina tenha evoluído para os trajes sem mangas.



Esta moda/indumentária de tufos, ou mesmo de franjas também fora muito usada por assírios e babilônios, pois o modelo agradava as classes altas femininas e masculinas que mantinham a tradição de usar roupas drapeadas em volta de todo o corpo em espiral; embora o modelo tenha sido gradativamente eliminado pelos altos escalões, sendo aos poucos substituídos por um tipo de túnica com mangas. A vestimenta desse povo, sua indumentária, adornos e jóias era sobejamente exuberante. Os dirigentes importavam-se em demasia com o penteado e a barba, os cabelos eram encaracolados e as perucas e postiches muito apreciados.

E, voltando a Suméria, nesta região a moda/indumentária proliferou, mais precisamente, no local onde atualmente é o Iraque, “A Síria entre os rios”: Aram-Nacharaim, como está referido no Velho Testamento a Mesopotâmia.

Pode-se considerar, inicialmente, a moda deste período, como uma moda branca, levando-se em conta que as fazendas mais finas eram tecidas em linho ou lã com 100% de pureza; denotando, com isso, a tonalidade extremamente branca. Ao contrário, porém, do que acontecia com os tecidos de qualidade inferior, que apresentavam diferentes tonalidades, indo do preto ao bege, e passando por uma infinidade de tons marrons.

Durante um longo período da história os tecidos não detinham as tonalidades que hoje conhecemos. Variavam apenas conforme a pureza que se conseguia atingir no momento da trama. Mas, de repente, dá-se a grande invenção do mundo fashion: a cor. A descoberta mágica de como se tingir as fazendas!

2 comentários:

  1. 6) GARCIA, Patrícia Douat. Baal – O deus da Moda. Disponível em: http://www1.uol.com.br/modabrasil/forcas_moda/deuses/index2.htm Acesso em 20 mar. 2004.
    7) Objeto, Idolatria do Belo. Disponível em: http://www2.uol.com.br/modabrasil/forcas_moda/joia_roupa/index.htm Acesso em 24 abr. 2004.
    8) GARCIA, Patrícia Douat. Baal – o deus da moda. Disponível em: http://www1.uol.com.br/modabrasil/forcas_moda/deuses/index2.htm Acesso em 20 mar. 2004.

    (2 e 3) colares feitos com objetos encontrados em escavações. Disponível em: http://www2.uol.com.br/modabrasil/forca_moda/moda_civilizacao/index2.htm Acesso em 20 mar. 2004.
    4) pinturas de representações de deuses na antiguidade. Disponível em: http://www1.uol.com.br/modabrasil/forcas_moda/deuses/index2.htm Acesso em 20 mar. 2004.
    5) escultura suméria disponível no texto Objeto, Idolatria do Belo. Disponível em: http://www2.uol.com.br/modabrasil/forcas_moda/joia_roupa/index.htm Acesso em 24 abr. 2004; e, escultura cretense. Disponível em: http://www.modanahistoira.blogspot.com/ Acesso em 17 dez. 2007.

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  2. Olá, estou fazendo uma monografia sobre "a moda sob o viés sociológico" e seu post foi de extrema utilidade para mim! Tenho certeza que a sua deve ter ficado ótima! Muuuuito obrigada!

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